Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

Pois, poesia agora...

Adulação Atómica

 

 São pequenas moléculas de energia,

 São grandes porções de nada,

 Que se dividem e subdividem…

 Que se manifestam, em vãos reflexos duma mais vã sinergia.

 

 São notas soltas duma harmonia desconcertada,

 São dolorosos sopros, que rapidamente se esquecem, e penosamente se extinguem.

 

 Repara, como prodigiosamente se agrupam,

 Admira a complexidade dos seus movimentos,

 Delicia-te com a inebriante forma com que te chamam.

 Sim, é por ti que eles clamam,

 É pelo teu toque que eles suplicam sofregamente,

 É pela voracidade da tua ânsia que se arrastam subtilmente.

 Ah, tão enternecedora é a forma como labutam…

 

 São tão patuscos os seus desastrados gestos,

 Que os meus braços esticam numa néscia esperança,

 De arrebatar essa brisa, que só a minha emoção alcança.

 

 Mas… Tal fantasia está além dos meus cândidos métodos,

 E esse vento,

 Que és tu, bailando harmonicamente conforme o ritmo do momento,

 Trespassa-me tão completamente,

 Que os exíguos resíduos que me ficam implantados,

 Nada mais são que nostálgicos e oníricos pedaços,

 De matéria incerta, que se divide e subdivide incessantemente,

 Que se escorre do meu corpo conforme a velocidade dos teus passos.

música: Royksopp - What else is there?

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

A lenda do homem que disparava raios lazer arco-íris pelos mamilos

 Nas profundas mais atrozes

De tudo o que podemos convencionar

Habitam seres maus e ferozes

E um homem que raios lazer arco-íris pelos mamilos consegue disparar

 

 A premissa em si é difícil de consentir

E a visão do fenómeno é inarrável

Tanto que não conseguimos pressentir

Que um homem que dispara raios laser arco-íris pelos mamilos

Pode ser bastante afável

 

Como sofre o nosso idiossincrático amigo

Neste mundo cruel e monocromático

A ironia dum monstro, que está em perigo

Por não se conseguir misturar neste ambiente apático

 

Mas por muito que nos doa

Não podemos estranhar a solidão, desta criatura de sonhos

É injusto, é reprovável, revoltante, põem em causa uma sociedade boa

Mas convenhamos…

É um homem que dispara raios lazer arco-íris pelos mamilos

 

 

sinto-me: entristecido
música: I can´t move - Dapunksportiff

Domingo, 29 de Novembro de 2009

Tanto texto para um simples trocadilho

 Muito se falou desse ícone da música portuguesa que é Melão.

 Muito, mas não o suficiente. Talvez pelo sentimento de intimidação que qualquer humilde mortal sente ao pronunciar o nome de Melão, talvez pelo simples facto que nada mais pode ser acrescentado a tão sublime espécime. Eu não sei, provavelmente o leitor também não saberá e creio que nem o próprio Melão faz ideia.

 O que é certo é que a letra do single “Coração de Melão” é da melhor poesia contemporânea que o nosso solarengo país já viu.

 Esta não é a primeira vez que discuto a poesia de Melão, mas sinto que nunca é demais apreciar e analisar o trabalho deste nosso tão conceituado artista. Atentemos então no refrão (e 78% da música) de “Coração de Melão”:

 “Coração de melão

  Melão, melão, melão

 (ai) Coração de melão

 Melão, melão. Melão”    

 

 Logo ao primeiro contacto apercebemo-nos que estamos na presença dum iluminado, a profunda metáfora entre melão e coração, a brilhante rima emparelhada entre melão/melão/melão/melão, o brilhante minimalismo em fazer uma quadra usando apenas 2 palavras, e o toque da interjeição “aí” a dar um pequeno lamiré à Álvaro de Campos.   

 

Mas apesar de ser um poeta contemporâneo, Melão não descura os cânones clássicos. Reparem na contagem silábica: “Co-ra-ção de me-lão(6)/ me-lão me-lão me-lão (6)/ co-ra-ção de me-lão(6)/ me-lão me-lão (6)”.

 

 Seis sílabas por verso, não cinco como na redondilha pequena, nem sete como na redondilha maior. E porquê? Porque se juntar mos o numero de sílabas de cada verso ficamos com o seguinte número: 6666. Ou seja 666(o número da besta)+6. Cá está o mais sublime de todos os pormenores de Melão. O Melão, que é uma besta, faz um poema onde se auto-invoca, aliás e não só se auto-invoca como ainda acrescenta mais um 6, porque Melão é uma besta, tudo bem, mas é mais que isto, Melão atinge o inatingível, Melão vai para lá da besta, Melão é uma besta extra uma autêntica Super Besta.

    

 

sinto-me: extasiado
música: Dead Combo - Putos a roubar maçãs

Sábado, 25 de Julho de 2009

Mais uma grande iniciativa

 O primeiro concurso anual de poesia da Grotafunda abriu recentemente as suas inscrições.

 

 Este concurso, promovido pela Junta de Freguesia da Grotafunda, Câmara Municipal da Grotafunda, Secretariado Cultural da Grotafunda e pelo Supermercado da Grotafunda (todos presididos pelo Zé), tem como objectivo prospectar toda a pitoresca freguesia da Grotafunda em busca dos seus espíritos mais sensíveis e de cidadãos alfabetizados, sondagens positivistas apontam para quatro, mas não queremos que tal seja motivo de euforia, até porque duas das pessoas que responderam sim á pergunta “é alfabetizado?” Apenas acenou a cabeça, uma outra disse: “han” e assumimos que esse vocábulo significava “sim” e a outra pessoa sou eu, e mesmo assim começou a sentir fortes dúvidas sobre a minha resposta.

 

 De qualquer maneira, foi com agradável surpresa que, ao ir á casa de banho da Junta de Freguesia, tive a oportunidade de ler o primeiro concorrente. A obra dá pelo nome de “Porque me deixaste”e é assinado por “caso tenha gostado, espreite este buraco          

 

  Porque me deixas-te?

  Terão sido as trevas de alma minha

  Ou o facto de eu bater-te

  E copular com a vizinha?

 

  Por favor volta para mim

  Porque o serviço de adopção

  Requer um casal, enfim

  Para ceder um órfão, que trabalhe na plantação

 

  Perdoa-me por não compreender

  As idiossincrasias do teu ser

  E também por não saber

  O que gonorreia quer dizer

 

  Mas para sintetizar

  Que a vida é curta e a ocasião mais tempo não me cede

  Digo-te que é um homem diferente, aquele para que estás a olhar

  Um homem que só te bate, quando o Benfica perde

 

sinto-me: sublimal
música: Here she comes - Nirvana

.este tarado tem identidade (veja aqui qual)

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