Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Mas... ainda há textos aqui?

Se ainda há alguém a ler isto, um bem haja, a sua persistência tem tanto de heroica como de incompreensível:

 

Cá fica então o "incidente Malkovich" com legendas e pequena introdução (era suposto enviar isto ao caça ao cómico, mas creio ter vindo tarde, pois não tenho visto desenvolvimentos na página do concurso):

 

 

 

E também uma bonita história contada por versos:

 

 

Encontrámos-nos, à porta do museu,

Para uma exposição de arte moderna.

A urgência de ir a tal evento, deveu-se, penso eu

Pelo facto da arte referida, estar longe de ser eterna.

 

E antes que a sua moda efémera passa-se,

Disses-te que me apressa-se,

E que às oito e meia te encontra-se

Para juntos desvendar-mos as sensibilidades

De potenciais talentosos, com ainda mais potencial fama.

 

Se bem que... sem querer ferir susceptibilidades,

Confesso que só te queria levar para a cama.

 

Encontrámos-nos então, oito e meia, em frente ao museu,

Estavas tu serena, vestida de negro, no meio de tão características personalidades,

Artistas, criticos de arte, e pessoas que com toda a força o querem ser. 

Tive a sensação que no meio de tantas excentricidades,

Por não ser excêntrico destacava-me eu.

 

Cumprimentei-te cordialmente, dois beijinhos como a etiqueta manda fazer,

"Tudo bem"?

"Sim e tu"?

"Também".

"Vamos entrando?"

"A não ser que queiras acelarar as coisas... posso já pôr-me nú".

 

Sim, eu sei, eu disse isto

Porquê? Como raio é suposto eu saber?

Estava nervoso, esmagado por tanta intelctualidade.

Percipitei-me a negar a asneira que tinha dito:

"Estava a brincar, não era a sério, achas que me consegues perdoar"?

"Vamos a ver..."

O teu sarcasmo soou-me a animosidade.

E invariavelmente começei a corar.

"Meu relaxa, agora era eu que estava a gozar,

Consigo apreciar um homem com sentido de humor".

 

E piscaste-me o olho.

Pus-me confiante então, não havia razão para temor.

 

Entramos no museu, confessei-te não saber que ala ver primeiro,

"Deixa estar, eu escolho"

Disses-te, e nesse preciso momento deixei de ter controlo,

Dei-te a mão (metaforicamente, literalmente seria infantil e tolo)

E deixei-me guiar como um cordeiro.

 

 

Primeira aula do museu:

O artista que se expunha era um dadaísta contemporâneo,

Ou pelo menos foi o que li sobre ele no wikipedia.

Porque de arte moderna nada sei eu.

 

Em exposição, uma tela toda preta com um ponto vermelho

A tua atenção virou-se para ele de modo instatêneo.

7 em 10 pessoas não lhe prestaram atenção,

Mas tu fugiste a essa média...

Perguntei-te porque razão:

 

"Estou a apreciar a aleatoriadade do quadro"

"E o que é que há para apreciar nas coisas sem nexo?"

"O facto de não compreender-mos como acontecem, dá um prazer inesperado".

 

Bem tentei contrapor o teu postulado,

Mas falaste em prazer inesperado,

E só consegui pensar em sexo.

 

Passamos para a segunda ala do museu,

Estava exposto um artista plástico,

Que se enquandrava no pop-art, ou ready made, creio que ninguém percebeu

Mas todos sabiámos que era fantástico.

Caramba, estava exposto num museu.

 

Exposto num pedastral,

Dejectos fossilizados dum qualquer animal,

Com um tubo oco a atravessar,

"Merda com uma palhinha", segundo o vulgo popular.

 

Juntou-se a nós um amigo teu, para nos ajudar na nossa percepção:

"Que conclusões tiram desta sublime criação?"

 

Viraste-te para ele de repente,

Como se já tivesses uma resposta em mente,

E estavas apenas à espera duma altura para a expor concretamente:

 

"Para mim representa o tão almejado destaque social,

 A populaça é peganhenta, suja e vil

 Mas há uma escapatória, para os de sensibilade mais transcedental,

 Que é o que representa este funil".

 

 Devia ter sido este o meu primeiro sinal...

 O tom de voz de superioridade,

 Que usas-te para dizer tal barbaridade,

 Não podia provir duma pessoa normal.

 

 

Mas preferi ignorar tais pensamentos,

Substitui-os pela ideia que vias algo de belo,

Mesmo no mais nojento dos ornamentos.

Estava errado, e tarde de mais fiquei a sabê-lo.

 

Bem impressionado com a tua apresentação,

Ficou o teu amigo recém-chegado.

Disse: "muito bem observado",

E prosseguio com a sua opinião:

 

"Para mim a obra representa a podridão do mundo,

 A sociedade, é representada pelas fezes no fundo,

 E nós sugamos pelo tubo,

 Tudo o que ela nos dá de mais imundo.

 Para os pobres de espírito, é como se fosse adubo."

 

 Riste-te genuinamente da apreciação rebuscada,

 E congratulaste-o talvez de forma exagerada,

 Tendo em conta que era suposto seres a minha acompanhada.

 

  Mas nem tive tempo para perceber que estava a ser ultrapassado,

  Pois depressa as atenções viraram-se para o meu lado.

  Já todos tinham dito o seu verdicto,

  Só faltava a visão aqui do convidado

  Estava bem fodid... estava frito.

 

  Que acrescentaria eu depois de tão elaboradas teorias?

  Nem achava a "escultura" nada de especial,

  Devo ser eu, que sou rude, e insensivél, e tal

  Mas merda vejo eu todos os dias.

 

  Mesmo assim tinha que exprimir alguma ideia,

  Para não parecer que só sirvo para debitar verborreia,

  Olhei para a obra com a atenção que ela exige,

  Mas de mim só saiu "eu acho que está muito fixe".

 

  Vi a desilusão a apoderar-se gradualmente dos teus olhos,

  Ahh! Porque raio não aprendi eu a falar com mais folhos?

  Mas antes que pudesse elaborar as minhas palavras banais,

  Interrompeu-me o gajo que estava ali a mais:

 

  "Oh, a sua ingenuidade é poética meu caro"

   O meu embaraço era tão proeminente,

   Que nem notei que ele gozava comigo com todo o descaro,

   E ainda agredci inocentemente.

 

 

 

   Olhas-te para mim como quem olha para um pobre analfabeto,

   E a partir dai deambulamos os três pela edificio

   A ver "arte conceptual" sem nenhum conceito em concreto,

   E eu na vã esperança que, se aguentasse o sacrificio,

   Te pudesse levar para um sitio mais discreto,

   Para te fazer coisas que ninguém sensato pode achar correcto.

 

   Dei-me mal.

   E a noite atingiu o seu final,

   Quando, exaurido de tanta admiração,

   Decidi descansar o corpo numa cadeira banal,

  Que estava, convidativa, mesmo ao lado do portão.

 

  Vieste ter comigo com os olhos horrorizados,

  Comparando-me a um animal selvático,

  Acusando-me de fazer estragos irremediados

  Numa obra-prima dum conhecido artista plástico.

 

  "Que obra?" Perguntei inócuo

  " Esta cadeira, seu invertebrado obliquo"

   (nem tentei perceber o insulto e continuei).

  "Esta cadeira vulgar, onde ainda agora me sentei?"

 

  "Sim, sua besta embrutecida,

   Essa escultura que usas como assento

   Representa a standartização duma sociedade esquecida

   Da beleza, que descurou na sua vida,

   E que em vez de viver no momento, apenas vive de momento".

   

 

Desisti então da nossa "relação".

E o que respondi foi só para justificar a minha acção,

Porque a noite perdida estava já.

Chamei-lhe então a atenção:

 

 "Repara, diz aqui IKEA"

 

 Disses-te que fazia parte,

 E acusaste-me de não compreender a arte.

 Juras-te que a palavra não me voltavas a dirigir,

 E ameaças-te chamar o segurança, portanto começei a fugir.

 Bela maneira de acabar um engate.

 

 

Voltarei a falar-vos um dia destes (esperemos mais cedo que tarde)

 

 

sinto-me: reanimado
música: Enchantement - Yanni

Sábado, 17 de Outubro de 2009

Prosa segundo as leis do acaso

 Se repararmos atentamente, todas as grandes épocas artísticas foram representadas em todas as formas de arte, com excepção duma:

 

 Sim, porque se extasiarmos a nossa capacidade de pesquisa, por muito que vasculharmos os mais obscuros cantos da nossa memória, esses cantos e recantos que nem uma praticamente assalariada empregada doméstica ucraniana sem visto procura, aqueles onde nem o Steven Seagal armado com uma qualquer espada do dragão se atreve a entrar, aqueles onde este género de analogias faz o mais completo sentido. Irão notar que praticamente não existe literatura dadaísta.

 

 Até aos dias de hoje, onde eu o sagaz e intrépido Ricardo Agostinho Gouveia Blayer Alves, autor deste extraordinário blog, cunhador de tantas pérolas do idioma do Toy, o menino bonito da Grotafunda o 18º sócio da Associação Sociocultural de Estrenevide. Faz hoje de bandeirante neste rebuscado estilo literário, e assume-se como “O primeiro escritor dadaísta português” (o Saramago é outra história).

 

 Sem mais delongas cá fica:

 

                                     Prosa, segundo as leis do acaso:

 

 Como pelas esmagadoras mandíbulas da panqueca. Onde as desmesuradas massas de (mirtilos) urgem, na direcção do protector cão de três cabeças, que escon;de o sentido do albarde! O aracnídeo faraónico vigia o acepipe, que controla… o estrupido pedaço. E é com a máxima atrabílis que se escorre e ascende, para planejar todo “o” que descortinamos.

 Sendo assim imperioso grassar, deslindar o guante bólido extenuado pela oceanologia úbere que corrói o corvo?

 

sinto-me: ambiguo
música: Boite Zuleka - Cão muito mau

.este tarado tem identidade (veja aqui qual)

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.este palhaço dise isto (e não fui á muito tempo)

. Mas... ainda há textos aq...

. Prosa segundo as leis do ...

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