Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Mas... ainda há textos aqui?

Se ainda há alguém a ler isto, um bem haja, a sua persistência tem tanto de heroica como de incompreensível:

 

Cá fica então o "incidente Malkovich" com legendas e pequena introdução (era suposto enviar isto ao caça ao cómico, mas creio ter vindo tarde, pois não tenho visto desenvolvimentos na página do concurso):

 

 

 

E também uma bonita história contada por versos:

 

 

Encontrámos-nos, à porta do museu,

Para uma exposição de arte moderna.

A urgência de ir a tal evento, deveu-se, penso eu

Pelo facto da arte referida, estar longe de ser eterna.

 

E antes que a sua moda efémera passa-se,

Disses-te que me apressa-se,

E que às oito e meia te encontra-se

Para juntos desvendar-mos as sensibilidades

De potenciais talentosos, com ainda mais potencial fama.

 

Se bem que... sem querer ferir susceptibilidades,

Confesso que só te queria levar para a cama.

 

Encontrámos-nos então, oito e meia, em frente ao museu,

Estavas tu serena, vestida de negro, no meio de tão características personalidades,

Artistas, criticos de arte, e pessoas que com toda a força o querem ser. 

Tive a sensação que no meio de tantas excentricidades,

Por não ser excêntrico destacava-me eu.

 

Cumprimentei-te cordialmente, dois beijinhos como a etiqueta manda fazer,

"Tudo bem"?

"Sim e tu"?

"Também".

"Vamos entrando?"

"A não ser que queiras acelarar as coisas... posso já pôr-me nú".

 

Sim, eu sei, eu disse isto

Porquê? Como raio é suposto eu saber?

Estava nervoso, esmagado por tanta intelctualidade.

Percipitei-me a negar a asneira que tinha dito:

"Estava a brincar, não era a sério, achas que me consegues perdoar"?

"Vamos a ver..."

O teu sarcasmo soou-me a animosidade.

E invariavelmente começei a corar.

"Meu relaxa, agora era eu que estava a gozar,

Consigo apreciar um homem com sentido de humor".

 

E piscaste-me o olho.

Pus-me confiante então, não havia razão para temor.

 

Entramos no museu, confessei-te não saber que ala ver primeiro,

"Deixa estar, eu escolho"

Disses-te, e nesse preciso momento deixei de ter controlo,

Dei-te a mão (metaforicamente, literalmente seria infantil e tolo)

E deixei-me guiar como um cordeiro.

 

 

Primeira aula do museu:

O artista que se expunha era um dadaísta contemporâneo,

Ou pelo menos foi o que li sobre ele no wikipedia.

Porque de arte moderna nada sei eu.

 

Em exposição, uma tela toda preta com um ponto vermelho

A tua atenção virou-se para ele de modo instatêneo.

7 em 10 pessoas não lhe prestaram atenção,

Mas tu fugiste a essa média...

Perguntei-te porque razão:

 

"Estou a apreciar a aleatoriadade do quadro"

"E o que é que há para apreciar nas coisas sem nexo?"

"O facto de não compreender-mos como acontecem, dá um prazer inesperado".

 

Bem tentei contrapor o teu postulado,

Mas falaste em prazer inesperado,

E só consegui pensar em sexo.

 

Passamos para a segunda ala do museu,

Estava exposto um artista plástico,

Que se enquandrava no pop-art, ou ready made, creio que ninguém percebeu

Mas todos sabiámos que era fantástico.

Caramba, estava exposto num museu.

 

Exposto num pedastral,

Dejectos fossilizados dum qualquer animal,

Com um tubo oco a atravessar,

"Merda com uma palhinha", segundo o vulgo popular.

 

Juntou-se a nós um amigo teu, para nos ajudar na nossa percepção:

"Que conclusões tiram desta sublime criação?"

 

Viraste-te para ele de repente,

Como se já tivesses uma resposta em mente,

E estavas apenas à espera duma altura para a expor concretamente:

 

"Para mim representa o tão almejado destaque social,

 A populaça é peganhenta, suja e vil

 Mas há uma escapatória, para os de sensibilade mais transcedental,

 Que é o que representa este funil".

 

 Devia ter sido este o meu primeiro sinal...

 O tom de voz de superioridade,

 Que usas-te para dizer tal barbaridade,

 Não podia provir duma pessoa normal.

 

 

Mas preferi ignorar tais pensamentos,

Substitui-os pela ideia que vias algo de belo,

Mesmo no mais nojento dos ornamentos.

Estava errado, e tarde de mais fiquei a sabê-lo.

 

Bem impressionado com a tua apresentação,

Ficou o teu amigo recém-chegado.

Disse: "muito bem observado",

E prosseguio com a sua opinião:

 

"Para mim a obra representa a podridão do mundo,

 A sociedade, é representada pelas fezes no fundo,

 E nós sugamos pelo tubo,

 Tudo o que ela nos dá de mais imundo.

 Para os pobres de espírito, é como se fosse adubo."

 

 Riste-te genuinamente da apreciação rebuscada,

 E congratulaste-o talvez de forma exagerada,

 Tendo em conta que era suposto seres a minha acompanhada.

 

  Mas nem tive tempo para perceber que estava a ser ultrapassado,

  Pois depressa as atenções viraram-se para o meu lado.

  Já todos tinham dito o seu verdicto,

  Só faltava a visão aqui do convidado

  Estava bem fodid... estava frito.

 

  Que acrescentaria eu depois de tão elaboradas teorias?

  Nem achava a "escultura" nada de especial,

  Devo ser eu, que sou rude, e insensivél, e tal

  Mas merda vejo eu todos os dias.

 

  Mesmo assim tinha que exprimir alguma ideia,

  Para não parecer que só sirvo para debitar verborreia,

  Olhei para a obra com a atenção que ela exige,

  Mas de mim só saiu "eu acho que está muito fixe".

 

  Vi a desilusão a apoderar-se gradualmente dos teus olhos,

  Ahh! Porque raio não aprendi eu a falar com mais folhos?

  Mas antes que pudesse elaborar as minhas palavras banais,

  Interrompeu-me o gajo que estava ali a mais:

 

  "Oh, a sua ingenuidade é poética meu caro"

   O meu embaraço era tão proeminente,

   Que nem notei que ele gozava comigo com todo o descaro,

   E ainda agredci inocentemente.

 

 

 

   Olhas-te para mim como quem olha para um pobre analfabeto,

   E a partir dai deambulamos os três pela edificio

   A ver "arte conceptual" sem nenhum conceito em concreto,

   E eu na vã esperança que, se aguentasse o sacrificio,

   Te pudesse levar para um sitio mais discreto,

   Para te fazer coisas que ninguém sensato pode achar correcto.

 

   Dei-me mal.

   E a noite atingiu o seu final,

   Quando, exaurido de tanta admiração,

   Decidi descansar o corpo numa cadeira banal,

  Que estava, convidativa, mesmo ao lado do portão.

 

  Vieste ter comigo com os olhos horrorizados,

  Comparando-me a um animal selvático,

  Acusando-me de fazer estragos irremediados

  Numa obra-prima dum conhecido artista plástico.

 

  "Que obra?" Perguntei inócuo

  " Esta cadeira, seu invertebrado obliquo"

   (nem tentei perceber o insulto e continuei).

  "Esta cadeira vulgar, onde ainda agora me sentei?"

 

  "Sim, sua besta embrutecida,

   Essa escultura que usas como assento

   Representa a standartização duma sociedade esquecida

   Da beleza, que descurou na sua vida,

   E que em vez de viver no momento, apenas vive de momento".

   

 

Desisti então da nossa "relação".

E o que respondi foi só para justificar a minha acção,

Porque a noite perdida estava já.

Chamei-lhe então a atenção:

 

 "Repara, diz aqui IKEA"

 

 Disses-te que fazia parte,

 E acusaste-me de não compreender a arte.

 Juras-te que a palavra não me voltavas a dirigir,

 E ameaças-te chamar o segurança, portanto começei a fugir.

 Bela maneira de acabar um engate.

 

 

Voltarei a falar-vos um dia destes (esperemos mais cedo que tarde)

 

 


sinto-me: reanimado
música: Enchantement - Yanni


Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
Um video

Após 4 anos de existência (com uma frequência de post tudo menos regular), essa entidade mística que é o autor deste blog revela finalmente não só a sua voz, como a sua pronuncia em inglês (e para os mais pacientes a sua própria fase).

 

Tudo isto porque, e apenas com cerca de 2 meses a viver em Lisboa devido à minha licenciatura em Filosofia (FLUL) tive a oportunidade de ter um tête a tête com o senhor Jonh Malkovich, entenda-se por téte a téte (não faço a mais pálida ideia como isso se escreve) o senhor num palco a falar para mais de uma centena de pessoas e eu no meio da multidão a fazer-lhe uma pergunta, aliás, mais que uma pergunta... a propor-lhe uma maneira bem mais complexa de ver o mundo...

 

enjoy

 

  

 

 

 

E no sapo videos, onde pode ver as perguntas todas (creio) bem como uma expressão mais detalhada da expressão de assombro do senhor, e ainda uns rápidos vislumbros desta cara que vos escreve

 

 


sinto-me: metafísico
música: crystalized - the xx


Sábado, 28 de Agosto de 2010
E há quem seja pago para isto

Se há coisa que as instituições que traduzem os títulos dos filmes para português nos habituaram, essa coisa é a mediocridade.

 Alguns de vocês, mais incendiários, extremistas e quiçá exagerados acrescentariam também o ridículo, e têm razão.

 Bons exemplos disso mesmo são as seguintes traduções:

 

“Little miss Sunshine“

(o título refere-se a um concurso de “misses” para crianças, não é comum em Portugal mas algo como “A pequena miss” ou “A menina mais bonita” seria preferível à atrocidade escolhida)

“Uma família á beira dum ataque de nervos”

“Harold and Kumar go to Guanthanamo”

(este filme faz parte duma série de filmes onde as personagens principais são sempre o Harold e o Kumar, porque não fazer uma tradução literal e dar o título de “Harold e Kumar vão a Guantanamo” ?

“Grande moca meu”

“The men who stare at goats”

« O homem que fixa cabras »

“Homens que matam cabras só com o olhar”

“Forgetting Sarah Marshall”

“Esqueçendo Sarah Marshall”

“Um belo par… de patins”

“Humpday”

(o filme fala de dois amigos heterossexuais que decidem protagonizar um porno, um com o outro, uma tradução literal (“Dia para montar”) seria jogar pelo seguro (visto que o cartaz são dois homens sem camisa deitados numa cama, as pessoas iam perceber) mas não…)

“Deu para o torto”

“Get him to the Greek”

(aqui “Greek” refere-se ao “Greek Theather” nos USA, o que impede uma tradução literal, mas visto que o filme é sobre levar uma estrela de rock a um concerto, porque não “Leva-lo para o concerto”, problema referencial resolvido)

“É muito rock meu”

“Knocked Up”  

“Grávida”

“Um azar do caraças”

 

 

 

 

É claro que existem também traduções não atrozes, algumas até um bocado hábeis (“Teenwolf” – “Lobijovem”), o que me faz pensar em possíveis títulos alternativos que, quase que certamente, pairaram sobre a cabeça dos nossos extraordinários criativos:

 

Título Original

Título em Portugal

Possíveis atrocidades

“The Godfather”

“O Padrinho” (era difícil)

“O Poderoso chefão” (título que recebeu no Brasil)

“Uma família à Italiana”

“Família... família... negócios à parte”

“Teenwolf”

“Lobijovem”

“Uma questão de pêlo”

“Um miúdo com garra”

“Titanic”

“Titanic”

“O barco do amor”

“Paixão em alto mar”

“Gone with the wind”

“E tudo o vento levou”

“A noviça rebelde” (mais uma vez, o título que recebeu no Brasil)

“Bicicletas”

“Godzilla”

“Godzilla”

“Lagarto gigante”

“Monstro verde Destruidor”

"Destruição em Nova Yorke"

 

 


música: Heartbreaks - José Gonzales


Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
Pois, poesia agora...

Adulação Atómica

 

 São pequenas moléculas de energia,

 São grandes porções de nada,

 Que se dividem e subdividem…

 Que se manifestam, em vãos reflexos duma mais vã sinergia.

 

 São notas soltas duma harmonia desconcertada,

 São dolorosos sopros, que rapidamente se esquecem, e penosamente se extinguem.

 

 Repara, como prodigiosamente se agrupam,

 Admira a complexidade dos seus movimentos,

 Delicia-te com a inebriante forma com que te chamam.

 Sim, é por ti que eles clamam,

 É pelo teu toque que eles suplicam sofregamente,

 É pela voracidade da tua ânsia que se arrastam subtilmente.

 Ah, tão enternecedora é a forma como labutam…

 

 São tão patuscos os seus desastrados gestos,

 Que os meus braços esticam numa néscia esperança,

 De arrebatar essa brisa, que só a minha emoção alcança.

 

 Mas… Tal fantasia está além dos meus cândidos métodos,

 E esse vento,

 Que és tu, bailando harmonicamente conforme o ritmo do momento,

 Trespassa-me tão completamente,

 Que os exíguos resíduos que me ficam implantados,

 Nada mais são que nostálgicos e oníricos pedaços,

 De matéria incerta, que se divide e subdivide incessantemente,

 Que se escorre do meu corpo conforme a velocidade dos teus passos.


música: Royksopp - What else is there?


Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
To soon?

Morreu José Saramago, credibilitado auto de várias obras, entre elas incluída o prémio Nobel da literatura "Ensaio sobre a cegueira".

 

Numa nota mais positiva, morreu o autor de "Ensaio sobre a lucidez".




Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Tartarugas gigantes e deleites auto-recriacionais

Tal como mamas grandes, o desconhecido sempre fascinou, e intrigou o ser humano. Se juntarmos ambos temos a puberdade, mas estou a divagar…

 

 Estou a divagar porque o tema deste post é “teorias remotas indígenas sobre terramotos”. Leitores usuais não ficaram surpreendidos pois se há bandeira que este espaço sempre hasteou, é a bandeira da diversidade e da cultura.

 

 Pois bem, segundo os manuais de história do segundo ciclo, uma tribo do pacífico acreditava que o mundo era suportado por quatro tartarugas gigantes, e quando os nativos se desentendiam, as tartarugas começavam a mover-se em direcções opostas.

 

 Haverá melhor sociedade? Haverá melhor forma de prevenir a discordância e a discórdia em prol da harmonia? Haverá mais lusório cenário para a luxuriosa ruptura do vínculo matrimonial?

 

 -Querida, porque é que este simpático inquilino faz uso dos teus genitais para seu auto-recreativo deleite? (sacana do cabrão, se o apanho eu mato-o, com uma pedra, das pequenas, se não fossem as tartarugas…)

 

 - Oh amor, este simpático senhor está a violar-me.

 

 Sim, porque nunca existiu melhor época para ser violador que aquela. É quase fácil de mais:

 

 - Bom dia.

 

 - Bom dia.

 

 - Vou-te violar.

 

 - Opa agora não me apetecia mesmo.

 

 - Olha as tartarugas… Queres desentendimentos é?

 

 - Não, não, ora essa. Esteja à vontade.       

 

 


sinto-me: remoto
música: Rilo Kiley - The moneymaker


Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
A lenda do homem que disparava raios lazer arco-íris pelos mamilos

 Nas profundas mais atrozes

De tudo o que podemos convencionar

Habitam seres maus e ferozes

E um homem que raios lazer arco-íris pelos mamilos consegue disparar

 

 A premissa em si é difícil de consentir

E a visão do fenómeno é inarrável

Tanto que não conseguimos pressentir

Que um homem que dispara raios laser arco-íris pelos mamilos

Pode ser bastante afável

 

Como sofre o nosso idiossincrático amigo

Neste mundo cruel e monocromático

A ironia dum monstro, que está em perigo

Por não se conseguir misturar neste ambiente apático

 

Mas por muito que nos doa

Não podemos estranhar a solidão, desta criatura de sonhos

É injusto, é reprovável, revoltante, põem em causa uma sociedade boa

Mas convenhamos…

É um homem que dispara raios lazer arco-íris pelos mamilos

 

 


sinto-me: entristecido
música: I can´t move - Dapunksportiff


Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Pentes radioactivos

 Poucas coisas conseguem rivalizar em termos de interesse como anúncios de televendas. Entre essas poucas coisas encontram-se: ver tinta secar e ligar/desligar interruptores incessantemente.

 No entanto, como tenho demasiado tempo livre, cruzei-me com um desses anúncios, que publicitava uma excitante nova forma de aumentar o cabelo, com uma espécie de pente radioactivo (literalmente).

 O produto em si é algo de transcendente. Um pente radioactivo, soa como um utensílio dum super-vilão. “O Cabeleireiro”, um estereotipado cabeleireiro francês, que devido à sua exposição a laca capilar ganha super-poderes, e com esses super-poderes decide arrancar a cabeça de todos os seres humanos e conservá-las numa resina de plástico para manter a sua cor natural, desta maneira ele alcançaria o seu objectivo de transformar o mundo na sua própria exposição de penteados. No entanto os seus planos falham miseravelmente, devido à intervenção do mais recente super-herói “Chuck Noris (mascarado) ”.

 No entanto o que mais me chamou a atenção neste anúncio, foi sem dúvida o documento oficial em que o produto tinha sido testado e aprovado pela NASA. Sim, aparentemente a NASA testa e aprova pentes radioactivos (e eu que pensava que tinha demasiado tempo livre). Como é que uma empresa passa de descobrir o universo para redescobrir o couro cabeludo? Como é que a NASA aprovou tal procedimento?

 - Então, na nossa linha de trabalhos, o que temos?

 - Bem, estamos a trabalhar num satélite que nos permitirá tirar imagens de Júpiter, a nossa frota lunar permite levar agora simples milionários à lua, temos alguns avanços no que toca à informação sobre a constituição de Marte, o Zrinks disse a sua primeira palavra, e testámos e aprovámos um pente radioactivo.

 - Desculpa, um… pente radioactivo?

 - Sim, um pente radioactivo que desenvolve os folículos capilares.

 - Mas, porquê?

 - Então, para combater a calvície.

 - Opá, desculpa lá, já me tinha esquecido do nosso juramento.

 - Não faz mal, acontece a todos.

 - Já agora, como vão os avanços na resina de plástico.

 - Está praticamente desenvolvida. Já agora, qual é a utilidade dessa resina?

 - Bientôt vous saurez, bientôt vous saurez. HUN HUN HUN, HUN HUN HUN

 


sinto-me: tré bien
música: She Wants Revenge - These things


Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
A dor... a dor...

  Os peixes têm uma memória de três segundos (não sei como alguém pode confirmar isto mas enfim, provavelmente o mesmo cientista que mediu o orgasmo do porco.)

 O que me leva à seguinte constatação, ser pescado deve ser a pior sensação alguma vez sentida por um ser vivo.

 Imaginem o que um peixe sente fora de água:

 Ahhh tou a morrer… O que é isto? Ahhh. O que é isto? Ahhhh. O que é isto.

 


sinto-me: rebuscado
música: Zlatko - Electronick Supersonick


Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
Grandioso Campeonato Espancador Vara de Pinho

Esta semana foi semana de Campeonato Grotafundense de Ordenha.

 Com um campeonato renhido como poucos, e a duas jornadas do fim, toda a Grotafunda foi mobilizada a assistir às emocionantes últimas semanas do campeonato.

 Sem mais delonga aqui ficam os resultados desta jornada:

Associação Grotafundense de Ordenha: 22

Juventude Vaqueira                                   : 22

 

Homens do Leite Ordenha Clube: 20

Marítimos do Cerrado                   : 28

 

Lavradores Independentes      : 24

Grotafunda Ordenha Clube     : 24

 

Tributo Ancião da Grotafunda                                                                                                         : 30

Associação Paroquial Académica Comercial Medicinal Pecuária e Desportiva Grotafunda: 32

 

 Como podem observar a jornada desta semana proporcionou surpresas chocantes no Grandioso Campeonato Espancador Vara de Pinho.

 

A começar, os detentores do título Associação Grotafundense de Ordenha, continua na sua espiral descendente, após a derrota contra a Grotafunda Ordenha Clube, agora um empate contra os claramente inferiores Juventude Vaqueira. Todos os 12 adeptos que se deslocaram ao municipal da Grotafunda saíram visivelmente desiludidos com os pupilos de Firmino Raúle. Firmino Raúle que tem causado muita polémica como técnico da equipa da baixa Grotafunda, a equipa parece sem ritmo, perde litros de leite aparentemente fáceis, e em suma falta-lhe o vigor de épocas passadas. Correm até rumores que Firmino nem é francês e que o apelido, alegadamente de origem gaulesa, não é Raúle mas sim Raul. Este escândalo tem suscitado manifestações à porta da cede do AGO, que pedem a demissão imediata do técnico. O blog Blayer entrevistou um desses manifestantes:

 

 “Isto realmente é muito triste, muito, muito triste. Isto neste mundo existem dois tipos de pessoa: os que se usam a si em prol da ordenha, e os que usam a ordenha em prol de si. E infelizmente a segunda hipótese retrata perfeitamente o senhor Firmino Raul, que não é francês coisa nenhuma, ainda à coisa de quatro anos era empregado no bar do meu cunhado. E mesmo aí já se previa que daria um péssimo técnico de ordenha, mandava sempre entrar os amendoins demasiado cedo, e colocava os tremoços onde não eram desejados.”

 

 Por esta e outras críticas a direcção do AGO convocou uma conferência de impressa, para que o técnico do clube pudesse responder aos mais cépticos. O Blayer esteve lá e apurou o seguinte:

 

 “Estes senhores que se dizem adeptos da Associação Grotafundense de Ordenha mentem. Esses detractores não passam de víboras, seres rastejantes e reles, que com o seu veneno apenas destroem o bom ambiente que se vive na Associação Grotafundense de Ordenha. O meu colectivo é um colectivo forte, o meu colectivo é um colectivo amigo, o meu colectivo é um colectivo profissional que tem dado o seu máximo em prol dum clube com uma história tão singular como o nosso. É extremamente injusto atacar homens de valor, homens com h grande, que todas as jornadas vestem com amor e orgulho as jardineiras deste grupo. Eu enquanto treinador, mais, enquanto fervoroso amante deste emblema jamais aceitarei, que certas larvas sujas e nojentas, tentem atacar algo que me é tão precioso. E no que toca à minha às dúvidas sobre a minha naturalidade, não há nada de mais ridículo, eu sou claramente francês, repare, tenho uma boina, um bigode, cheiro mal dos sovacos e vou neste preciso momento comer uma baguete.”  

 

 Também nesta semana os Marítimos do Cerrado conseguiram uma justíssima primeira vitória, por 20-28 frente ao Homens do Leite Ordenha Clube. Um inspiradíssimo Jonathan Miranda ordenhou sozinho mais de metade dos litros do Marítimos, as suas impressionantes exibições têm despertado o interesse de variadíssimos clubes em variadíssimos locais do mundo, falando-se mesmo no interesse do Dínamo Krasteck da Ucrânia ou até mesmo dos tri-campeões do Cazaquistão o Fulcrapecz.

 

 Mas o maior choque aconteceu no Municipal Ancião, com a derrota do actual líder Tributo Ancião da Grotafunda frente à maior surpresa do torneio a Associação Paroquial Académica Comercial Medicinal Pecuária e Desportiva Grotafunda por 30-32.

 

 A derrota foi um choque tremendo, no embate entre os líderes o Municipal estava mais que superlotado, com uns épicos 18 espectadores. Toda a gente esperava que o TAG decidisse o campeonato neste jogo, e os adeptos preparavam-se para comemorar o feito. Como heróis o trio do TAG entrou no municipal, liderados pelo capitão Carlos Abelha, o homem da casa Apolo Silva Santos e o génio de Marselha Jacques Pires.

 

 Por outro lado, a expressão bélica na face dos homens da APACMPDG provocava calafrios a todos os que procurassem contacto visual. Desde cedo se percebeu que os homens de Américo Amaro não iriam entregar os 3 pontos de mão beijada aos locais.

 

Com esplendor e grandeza começou a equipa da casa, 3 litros para Carlos Abelha, 2 para Silva Santos e 3 para Jacques Pires, que mais uma vez deleitou os fans, ao usar a boca como uma terceira mão e assim adicionar mais litros à sua conta pessoal. No entanto Jacques não manuseou as tetas durante muito tempo, talvez para se poupar para os períodos que se avizinhavam.

 

 Com afinco e pundonor começou o APACMPDG, a velocidade da sua ordenha fez com que muitos dos espectadores julgassem que se tratava duma equipa de hexadáctilos. De facto os três agricultores completavam-se tão bem que pareciam um só super-lavrador. 12 litros foi o resultado para a equipa da Grotafunda central o que lhe dava uma vantagem de 4 litros ao fim do primeiro período.  

 

 Foi aí que João Silvâ se apercebeu que não poderia ceder um milímetro para os segundos classificados. E no segundo período vimos o mesmo Jacques Pires que vemos nas nossas fantasias. O homem massaja, beija e acaricia as tetas do animal como quem acarinha um filho, e o resultado é litradas de leite, neste caso anda mais nada menos que 16 litros de leite. No segundo período nem Abelha nem Apolo de aproximaram do animal, nem foi preciso, seria como se um servente de pedreiro desenha-se a capela sistina.

 

Perante tal enquadramento pouco ou nada há a fazer, e a APACMPDG apenas conseguiu ordenhar 6 litros no segundo período, deixando assim o resultado nuns 24-18.

 

 Mas a grande reviravolta veio no terceiro período. Quando os adeptos do TAG já saltavam em júbilo a antever a conquista da prova. No último período João Silvâ substituo o esgotado Jacques Pires por Sílvio Tomás. No terceiro período o TAG fez trabalho de manutenção, cada atleta ordenhou 2 litros cada um e permitiu que cada um tivesse tempo suficiente com a vaca para elaborar as suas técnicas de ordenha.

 

 Essa desaceleração mostrou-se fatal, com força redobrada os pupilos de Américo Amaro, trabalharam aquela vaca com fulgor tal que ou ela produzia leite ou eles lhe batiam (como foi o caso, a certa altura José José deferiu uma pancada na glândula do animal, o que foi falta com direito a pancada de cauda).  E o que é certo é que a vaca correspondeu á vontade (por vezes até brutalidade) dos atletas da Grotafunda Central. E vimos esguichos e esguichos de leite a cair no balde da APACMPDG, esguichos esses que ao se amontoarem criavam uma porção de leite cada vez maior. E, perante os olhares perplexos dos adeptos do TAG, essa porção resultou em 14 litros, dando assim a vitória aos visitantes por 30-32.

 

 Foi um ambiente pesado que se viveu na baixa Grotafunda, durante muito tempo ninguém conseguiu dizer nada, como reza a letra dos Mão Morta “Ninguém dizia nada, o silêncio, acompanhava o olhar vazio, a dor”.

 

 Aqui fica a tabela classificativa actualizada:

 

Associação PACMPD Grotafunda

15 pontos

140 litros

Tributo Ancião Grotafunda

12 pontos

151 litros

Associação Grotafundense de Ordenha

10 pontos

132 litros

Juventude Vaqueira

07 pontos

129 litros

Grotafunda Ordenha Clube

07 pontos

123 litros

Marítimos do Cerrado

03 pontos

097 litros

Lavradores Independentes

02 pontos

103 litros

Homens do Leite Ordenha Clube

01 ponto

102 litros


sinto-me: exaurido
música: Mão Morta - Arrastando o seu cadáver


.este tarado tem identidade (veja aqui qual)
.pesquisse neste blog e encontre um parceiro sexual ainda hoje (isto se for uma moça claro)
 
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